quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Biblioteca de Maximiano Lemos


João de Araújo Correia

A biblioteca de Maximiano Lemos, inaugurada em 1960, ao comemorar-se o primeiro centenário do seu ilustre patrono, vai ser enriquecida, no próximo Novembro, com uma valiosa colecção de livros oferecidos pela benemérita Fundação Calouste Gulbenkian. Diremos, para ser precisos, que vai funcionar, dentro da Biblioteca de Maximiano Lemos uma das bibliotecas fixas de Fundação Gulbenkian.

Queremos crer que as duas bibliotecas não briguem uma com a outra, antes se auxiliem e completem. A de Maximiano Lemos é livraria pobre e livraria velha, herdeira da primitiva estante dos Bombeiros e acrescida de alguma oferta particular. Mas, sempre conterá, como velha, embora pobre, alguma espécie rara, útil a estudiosos ou bibliófilos. A da Fundação, constituída por livros em barba e todos em folha, será útil ao comum dos leitores. Será própria para os desbravar e lhes estimular o gosto de leitura.

Uns e outros livros deverão acautelar-se de inúteis desvios. Não falta quem se aproprie de livro alheio só para o ter ou deixar perder, nanja para o ler e se instruir com ele. É como se cultivasse a arte de tirar por tirar.

Ninguém deve esquecer, aqui na Régua, o que aconteceu à antiga biblioteca municipal, fundada pelo Dr. Claudino de Morais no século passado. Quando, em 1935, houve incêndio nos Paços de Concelho, já os livros tinham desaparecido. Oxalá não suceda o mesmo aos livros da Biblioteca de Maximiano Lemos, agora enriquecida com a inestimável oferta da Fundação Gulbenkian.
Se há livros que podem emprestar-se para leitura domiciliária, outros há que não devem sair para longe da vista do bibliotecário. São livros raros, insubstituíveis.

Em todos as bibliotecas, há regulamento que protege os livros. Não falte na Biblioteca de Maximiano Lemos. É indispensável que não falte e que se cumpra. Só assim haverá quem ofereça à Biblioteca livros preciosos, colecções de jornais e até manuscritos.

Na Régua, é tradição que falhem todas as iniciativas. Falharam as touradas, as exposições fotográficas, o teatro de amadores, o orfeão, a parada agrícola, os desportos fluviais e até o carnaval inventado pelo Chico Pulga. Tudo falhou, menos a Associação dos Bombeiros Voluntários, fundada em 1880 e de ano para ano, mais florescente.
Da vitalidade da Associação dos Bombeiros fiamos a conservação e o progresso da Biblioteca de Maximiano Lemos. Mas, é indispensável que a Associação seja acompanhada, neste particular, pelos reguenses dados à leitura. Espera-se que espontaneamente se organize o Grupo dos Amigos da Biblioteca de Maximiano Lemos.
- Outubro de 1963
Nota: Esta crónica, inicialmente publicada no extinto jornal “Vida por Vida”,  faz parte do livro Pátria Pequena, editado pela Imprensa do Douro (1977).
Clique nas imagens para ampliar. Sugestão de texto e imagens feita pelo Dr. José Alfredo Almeida (Jasa). Publicado também no jornal semanário regional "Arrais" em 9 de Agosto de 2012. Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Agosto de 2012. Permitida a copia, reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue só com a citação da origem/autores/créditos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A minha RÉGUA ! - 37

Fotos que refletem um estado de alma sobre a nossa cidade


Se participa da rede social 'FaceBook', poderá apreciar a coletânea de imagens 'A Minha Régua' (até ao momento com 646 fotos) no álbum 'Peso da Régua'.
Clique  nas imagens para ampliar. Imagens cedidas por José Alfredo Almeida e editadas para este blogue. Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Agosto de 2012. Este artigo pertence ao blogue Escritos do DouroSó é permitida a reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue com a citação da origem/autores/créditos. 

Retalhos da net: Luz - Da Régua ao Pocinho


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Blogue "Jacarandá" - DOMINGO, 22 DE JULHO DE 2012

Na linha de caminho-de-ferro, da Régua para o Pocinho. Nesta última estação, o caminho-de-ferro termina. Já não vai até Barca d’Alva, muito menos até Espanha. É a Linha do Norte, que começa no Porto, em S. Bento ou na Campanhã, e ia até Espanha, recebendo ainda passageiros das linhas “afluentes” do Tâmega, do Corgo, do Tua e do Sabor, todas fechadas, condenadas, abandonadas e destruídas. É uma das mais belas linhas de comboio do mundo, com dezenas de quilómetros à beira do Douro, por vezes a meia dúzia de degraus ou poucos metros do rio. Traçada entre vales e vinhas, serviu, durante um século, gente e mercadoria e sobretudo vinho e materiais para a vinha. Afastou os barcos rabelos, foi afastada pelos camiões e pela estrada. Em qualquer parte do mundo, pelo menos nos países civilizados onde houvesse linhas de caminho-de-ferro como estas, sobretudo as do Douro e do Tua, tudo seria feito, em nome da cultura, da qualidade de vida, do turismo decente, da história, da decência, do ambiente e da estética, para que fossem preservadas. Não é assim entre nós! Triste sina!
  • Sobre comboios do DOURO (neste blogue)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

6ª Bienal Internacional de Gravura | DOURO 2012 [10 AGO-30 SET]

CONVITE
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Helena Freitas
Gabinete de Apoio à Direção
FUNDAÇÃO MUSEU DO DOURO
Museu do Douro - Prémio Museu Europeu do Ano 2011 | Menção Especial do EMYA
Telefone: + 351 254 310 190 [Geral] + 351 254 310 198 [Directo] | Fax: + 351 254 310 199 
Rua Marquês de Pombal | 5050-282 Peso da Régua | Portugal  
07-08-2012 17:13 | Norte
Bienal de Gravura do Douro arranca sexta-feira com 650 obras de 325 artistas
A Bienal Internacional de Gravura do Douro arranca na sexta-feira e contabiliza este ano 12 exposições, distribuídas por Bragança, Alijó ou Régua, e 650 obras da autoria de 325 artistas, anunciou a organização.
Organizada pelo Núcleo de Gravura de Alijó, a bienal conta com o apoio da Câmara de Alijó e prolonga-se até 30 de setembro.
Em exposição estarão obras de artistas de 63 países, com destaque para David de Almeida, Rafael Trelles, Fernando Santiago, Daniel Hompesch ou Silvestre Pestana.
O diretor e curador da Bienal de Gravura, Nuno Canelas, destacou como novidade desta 6.ª edição a presença da iniciativa no espaço virtual, nomeadamente no Second Life, onde o evento estará representado e pretende expandir a sua ação.
A componente digital e virtual é aliás, um dos objetivos futuros deste evento.
"É uma forma de projetar a arte sem que esta tenha que se subjugar às leis do mercado físico da arte", afirmou Nuno Canelas.
Para o presidente da Câmara de Alijó, Artur Cascarejo, esta Bienal é já "uma referência artística que ultrapassa as barreiras do Douro" e a "maior manifestação cultural e artística da região".
Este ano juntou-se o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança., aos já habituais locais como Vila Real (Teatro Municipal), Régua (Museu do Douro), Foz Côa (Museu do Côa), Favaios (Museu do Pão e do Vinho), Quinta do Portal (Sabrosa) e Alijó (biblioteca, auditório, piscinas municipais e espaço urbano).
Artur Cascarejo considerou que o evento é hoje um "lufar de ar fresco do que se faz na região e no país".
Depois do tributo a Paula Rego na Bienal de 2007 e a Antoni Tàpies (recentemente falecido), o Museu do Douro, na Régua, acolhe agora a exposição -"Homenagem a David de Almeida", com cerca de 30 peças deste mestre da arte contemporânea.
Ao longo das últimas edições, a Bienal de Gravura do Douro tem permitido acumular um vasto património artístico de gravura, que poderá no futuro, segundo Artur Cascarejo, culminar com a construção de um Museu de Gravura Contemporânea.
"Queremos que a cultura seja uma alavanca do ponto de vista social e económico para a região e queremos que o Douro seja também um destino turístico cultural", afirmou o autarca.
- Fonte "PORTO Canal"

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

SOCORRO!

João de Araújo Correia


É indispensável e até urgente que os nossos Bombeiros adquiram uma ambulância nova! A que aí têm é ainda um bom carro, foge que voa pela estrada fora e trepa ao cimo dos nossos montes como um gato, mas é inóspita para doentes e pessoas que os acompanhem. Não tem defesa contra o frio e o calor externos. Em viagens longas, consoante a estação, é frigorífico ou crematório. Pode matar o doente primeiro que lhe acuda a solicitude hospitalar. É carro útil para viagens curtas e utilíssimo para vencer árduas subidas à maior parte dos povos do concelho e dos concelhos vizinhos. Para estiradas viagens, para ir ao Porto, Coimbra ou Lisboa, não serve. Tanto mais, que é um lobo a devorar gasolina. Pode-se dizer que não há carburante capaz de o saciar. Para essas viagens, fora de vila e termo, é um vampiro. Suga, até o último tostão, o cofre dos Bombeiros. É um perdulário…Não pode competir, em despesa, com ambulâncias de menor sustento. Vila Real e Lamego, nesse capítulo, batem o nosso velho e ainda bonito e ligeiro carro.


Tornou-se angustiosa a necessidade de se adquirir nova auto-maca. A velha ficará para serviço rápido, subir a Poiares ou a Sedielos num rufo, suprir ou auxiliar o veículo novo em caso de necessidade. Para levar um doente à Misericórdia do Porto, aos hospitais de Coimbra ou Lisboa, pôr-se-á a caminho ordinariamente uma ambulância capaz de o agasalhar e proteger com a maior carinho e o menor dispêndio.


De todos os fogos, o que lavra no corpo ferido ou doente é o mais credor de imediato socorro. Não há casa que valha uma vida humana. Levar a uma enfermaria o semelhante é acudir-lhe com o coração. Levá-lo de modo que não faleça à míngua de cuidados é acudir-lhe com o coração guiado pelo espírito. É acto que transcende da simples caridade. È uma obrigação própria da nossa inteligência esclarecida. Deixar morrer é matarmo-nos. O bem comum mais precioso é o homem. Como quem diz: somos nós todos. No caso de auxiliarmos os Bombeiros, na compra da auto-maca, o que lhe dermos será economia nossa que vamos pôr a juros. Imaginemos, à nossa vontade, que somos beneméritos. O que seremos, em boa análise, é egoístas. O óbolo que sair do nosso bolso é um seguro de vida. Reverterá, quando mal nos precatarmos, a nosso próprio favor. Ninguém dirá, vendo passar a auto-maca: de ti, estou eu livre.
 - Fevereiro de 1958

Nota: Esta magnifica crónica do médico e escritor reguense, inicialmente publicada no extinto jornal “Vida por Vida”, faz parte do livro Pátria Pequena, editado pela Imprensa do Douro (1977).
Clique na imagem acima para ampliar. Sugestão de texto e imagem feita pelo Dr. José Alfredo Almeida (Jasa). Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Agosto de 2012. Permitida a copia, reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue só com a citação da origem/autores/créditos.