terça-feira, 5 de junho de 2012

E por falar em comboios... Diligências de correio da Régua para Chaves

Fonte J A Almeida
Fonte J A Almeida
(Transcrição) - Primeiras viagens a Vidago - Início do séc. XX
Hoje, a partir de qualquer cidade do país, é possível chegar a Vidago fazendo uma viagem com rapidez e conforto, comparando com as condições de há anos atrás.

Desde 1874, data em que o Grande Hotel foi inaugurado, até 1910 em que o comboio chegou à estação de Vidago, as vias de transporte eram um verdadeiro calvário.

Em 1893, quem pretendia ir a Vidago, tinha que optar por um dos itinerários a partir de Guimarães, Mirandela ou Régua. A primeira era o terminal da linha da Trofa a Guimarães, ramal da linha do Porto a Valença. Quem quisesse ir por esta via, tinha que partir de Guimarães em carruagem pela estrada real nº 32, passando por Fafe e Arco de Baúlhe, podendo descansar no hotel dos Pachecos.

Este caminho a percorrer era de 93 Kms e, por isso, as pessoas preferiam dividi-lo em dois dias, ficando de noite no Arco de Baúlhe e seguindo no outro dia para Vidago. Esta viagem, com a noite incluída no Arco de Baúlhe, custava 18$000 réis.

Outra opção era a estação de Mirandela, que era o terminal da linha de Foz-Tua a Mirandela, ramal da linha do Douro (Porto a Barca de Alva). O trajecto de Mirandela a Vidago, também era feito em duas etapas, sendo feito, de carruagem, pela estrada que dessa localidade se dirigia para Chaves, via Valpaços, e depois de Chaves a Vidago. O primeiro percurso, com cerca de 50 Kms, era feito pelas carruagens que existiam em Mirandela, que demoravam umas boas 10 horas; e o segundo percurso, de Chaves a Vidago, com cerca de 18 Kms, era feito pela pitoresca Estrada Real nº 5, em pouco mais de uma hora.

A última opção, era a partir da estação da Régua, situada na linha do Douro (Porto a Barca de Alva) e distante de Vidago uns 70 Kms. As pessoas geralmente preferiam não fazer a viagem num só dia, ficavam a pernoitar na Régua ou em Vila Real. Aqueles que vinham do Sul do país, chegavam cansados à Régua, por isso, pernoitavam nesta cidade no hotel Aliança, mais conhecido pelo hotel do Gregório. Para os outros que pernoitavam em Vila Real, existia o hotel Tocaio e o hotel Aurora, ambos ofereciam mais conforto do que o da Régua.

O comboio que saía do Porto chegava à Régua ao meio dia, saindo às 16H00 para Vila Real, o que dava tempo para almoçar e recuperar forças. Até Vila Real o tempo de viagem era de 4 horas, o que obrigava as pessoas a ficar essa noite para retomar o percurso às 6h30 da manhã. A chegada a Vidago estava prevista entre o meio dia e as 13h00, conforme o descanso em Vila Pouca de Aguiar.
A diligência saía da Régua às 15h00 chegando a Vidago só por volta das 3 da manhã. Os preços de cada lugar, ida e volta, neste meio de transporte eram muito baratos: num lugar com almofada andava pelos 1$400 réis e dentro da carruagem os 1$600 réis.

Também havia, diariamente, duas diligências de correio da Régua para Chaves. A diligência saía da Régua às 15h00 chegando a Vidago só por volta das 3 da manhã. Os preços de cada lugar, ida e volta, neste meio de transporte eram muito baratos: num lugar com almofada andava pelos 1$400 réis e dentro da carruagem os 1$600 réis.

Destes três itinerários, o último era, o mais seguido, especialmente por aqueles vindo do Porto, Lisboa ou do centro do país. O primeiro e o segundo só favoreciam alguns vindo do norte ou da província da Galiza.

E eram assim as longas e memoráveis viagens, até ao Vidago, no início do séc. XX.

Um abraço e até breve...
- Publicada por Júlio às 16:46 de SÁBADO, 11 DE DEZEMBRO DE 2010 em "Meu Vidago".

Clique nas imagem para ampliar. Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Junho de 2012. Só permitida a cópia, reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue com a citação da origem/autores/créditos.

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