quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vencedor do Prémio Literário Glória de Sant’Anna - 2013

“Nada,
Nem sequer um limpo pranto,
Um olhar branco, uma agonia.

Nada.
A tudo é imune, o faquir,
Até ao sal, disso, indiferente.

Ele, o rosto e o corpo,
Nitidamente permanecem
indeformáveis e intactos.”

- Eduardo White In O Poeta Diarista e os Ascetas Desiluminados - ALCANCE EDITORES – Moçambique
 
Júri
Fernanda Angius – Estudiosa de Literatura Moçambicana
Teresa Roza D’Oliveira – Artista Plástica
Eugénio Lisboa – Ensaísta e Crítico Literário
Victor Oliveira Mateus – Escritor
Américo Matos – Director do Jornal de Válega

Fontes e colaboração de Inêz Andrade Paes. CONTOS DE FADAS NÃO DE REIS. Prémio Literário Glória de Sant'Anna 2013 - Regulamento. Prémio Literário Glória de Sant'Anna 2013 no Escritos do Douro, no ForEver PEMBA e no São Paulo - O Colégio. Blogue Glória de Sant'Anna. Sobre GLÓRIA DE SANT'ANNA no blogue ForEver PEMBA e no GoogleClique nas imagens para ampliar. Transcrição, edição de imagens e texto de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Maio de 2013. É permitido copiar, reproduzir e/ou distribuir os artigos/imagens deste blogue desde que mencionados a origem/autores/créditos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Recortes da net - A curta-metragem “Mau Vinho”

Rádio Renascença - 13-05-2013 9:59 por Olímpia Mairos - Marcantonio Del Carlo filma curta-metragem no Douro.

“Mau Vinho” conta a história de um grupo de alunos que vai fazer uma visita de estudos a uma casa vinícola duriense, pedida por um professor, representado por Marcantonio Del Carlo. A história nasce das lendas associadas, não só à vindima, mas também à fertilidade, ao sol, à lua e ao rio. Estreia em Setembro.

O Douro Film Harvest (DFH) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vão produzir o primeiro filme realizado pelo actor e encenador Marcantonio Del Carlo, que começa a ser rodado a 31 de Maio, em Murça. 

A curta-metragem “Mau Vinho” conta com a participação dos alunos finalistas do curso de Teatro e Artes Performativas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 

Marcantonio Del Carlo revela que a ideia nasceu há cerca de cinco anos, quando começou a dar aulas na academia transmontana. 

O professor e realizador escreveu o guião do “Mau Vinho” e lançou o desafio aos alunos para participaram na produção. Seis estudantes da UTAD compõem o elenco principal da produção e cerca de 20, onde se incluem estudantes da Escola Profissional de Murça, integram o elenco secundário. 

“É a primeira vez que se faz um filme com alunos que estão integrados na sua região, com a universidade a que pertencem e, ao mesmo tempo, associados a um grande evento de cinema, como é o DFH”, refere Marcantonio Del Carlo, realçando que “é um grande desafio para todos”. 

O filme conta a história de um grupo de alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que vai fazer uma visita de estudos a uma casa vinícola da região do Douro, visita pedida por um professor que é representado por Marcantonio Del Carlo. 

“Sou eu, o demónio da embriaguez, e vamos visitar essa casa que produz ‘Mau Vinho’ e aí os alunos vão ser raptados por uma seita, representada no filme pelos caretos”, salienta. “Mau Vinho” é uma expressão da cultura popular para dizer que uma pessoa “é má”. 

“A história nasce muito das lendas que fui estudando desta região, que são imensas e associadas não só ao vinho, à vindima, mas também à fertilidade, ao sol, à lua e ao rio, claro”, acrescenta o realizador. 

A curta-metragem vai ter 18 minutos, vai ser rodada entre 31 de maio e 03 de junho, em Murça e em outros pontos emblemáticos da paisagem duriense, como o miradouro de São Leonardo da Galafura. 

A produção estreia em setembro, durante a 5ª edição do Douro Film Harvest, um evento lançado há cinco anos e que se assumiu como o primeiro de cinema descentralizado do mundo. 

O DFH arranca este ano com uma primeira edição no Rio de Janeiro, que decorre entre 23 e 26 de maio, com o objetivo de promover no Brasil o turismo e os vinhos duriense. O certame combina a colheita dos vinhos produzidos na Região Demarcada do Douro com a sétima arte, associando ainda a música e a gastronomia.

Clique na imagem para ampliar. Transcrição, edição de imagem e texto de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Maio de 2013. É permitido copiar, reproduzir e/ou distribuir os artigos/imagens deste blogue desde que mencionados a origem/autores/créditos.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A minha RÉGUA ! - 67

PRIMAVERA
Fotos que refletem um estado de alma sobre a nossa cidade
Se participa da rede social 'FaceBook', poderá apreciar a coletânea de imagens 'A Minha Réguanos álbuns 'Peso da Régua' e 'Peso da Régua 2', com mais de 1.300 fotos.

Clique  nas imagens para ampliar. Imagens de autoria do Dr. José Alfredo Almeida (JASA) e editadas para este blogue. Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Maio de 2013. Este artigo pertence ao blogue Escritos do DouroSó é permitida a reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue com a citação da origem/autores/créditos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O Aprendiz de Feiticeiro

Foi há cerca de quinze dias que aqui falei na casa do Bernardo Perdigão, a que ficava lá em cima, no monte do Maio, bem pertinho da minha casa paterna. Também falei na violência doméstica que ali se ia vivendo, no dia-a-dia, com a mulher do Bernardo, a Engrácia, a mandar de lá, pela tardinha, uma grande gritaria com muitos pedidos de socorro. Mas, no dia seguinte a Engrácia vinha por aí abaixo a encher um bom caneco de água da mina e não mostrava sinais de tal violência, fosse uma quebradura de ossos ou as marcas de quaisquer pisaduras. E, de caneco à cabeça, a Engrácia ia subindo, upa, upa, toda a meia encosta do monte Maio, a falar sozinha como que a castigar o cansaço, sei lá se a quebrar um enguiço que andasse lá por casa, numa desarmonia de mau viver.

Enquanto isso, o Bernardo entretinha-se lá por casa sempre atento ao granjeio de duas ou três pipas de vinho e a tratar do “vivo”. O “vivo” eram alguns coelhos metidos num caixotão e de madeira mal-cheiroso, com uma tampa de rede por cima e por via da doninha ou da comadre raposa.

O Bernardo, mais do que mostrar o embardamento da vinha, gostava de mostrar as coelhas paridas com os filhotes ainda mamotos de volta das tetinas. Era como se ele próprio fosse um pai-coelho e não o pai-perdigão que nunca foi.

No exterior da casa, rés vés a porta de entrada, era a cozinha, um simples acrescento de cobertoira alpendrada e onde o Bernardo todo se envaidecia a mostrar a engenhoca de um bom fogo. O engenho, se calhar copiado, era um caneco de lata sem fundo, cheio de serrim, com um pau de vassoura aprumado no centro. Retirado o pau do serrim bem compactado, ficava em seu lugar uma estreita chaminé como se fosse o respiráculo de uma boa tiragem e boa oxigenação. O lume era atiçado no fundo da chaminé e a combustão ia-se fazendo muito lentamente sem grande consumo do serrim. No alto, na boqueira da chaminé, a chama era tão silenciosa, tão azul e tão pura, digamos que tão cheia de frescura, que até apetecia embrulhá-la e trazê-la, a bom recato, como amostra de um bom fogo lareiro, fogo sem carvão, sem lenha de pinho nem carqueja, apenas ateado com uma poalha de serrim.

A propósito de fogo, bem me lembro que por uma tarde afogueada de Estio, o Bernardo teve a feliz ideia de me oferecer, a mim e a outros companheiros de aventuras, a fresquidão de uma boa limonada. O refresco foi servido num daqueles jarros de esmalte que se punham, cheios de água, ao lado do lavatório de ferro, tanto para lavar o surro das mãos como a remelosa sujeira do, com licença, focinho. Se o refresco viesse numa caneca de vidro transparente a mostrar a turvação do açúcar e dos limões espremidos, mesmo numa dessas infusas de barro preto ainda com saibo de água-pé, vá que não vá. Mas, servido assim no jarrão do lavatório, de mais a mais mexido e remexido com um pedaço de cana, isso foi o que foi. Foi o melhor do nosso contentamento e do nosso saudável companheirismo. O Bernardo, muito satisfeito, com todas as  bem querenças da sua franca ruralidade, mostrou-se desapegado das doçuras da limonada e foi-se chegando ao seu quartilho de vinho e ao palavreado das suas crónicas já requentadas.

Agora, como quem se confessa ou como quem se diverte com as benzeduras e as cartomancias da Engrácia, direi que a minha música é muito minha, desde os meus verdes anos. É toda ela uma partitura clássica, envolvida de acordes eruditos. Direi ainda que em algumas peças musicais, as que considero mais figurativas, tenho por costume ilustrá-las com imagens cinemáticas que me são próprias e são da minha lavra. Assim foi, por exemplo, com o “Poeta e Aldeão”, a “Dança Macabra”, o “Capricho Italiano” ou o célebre “Bolero”, o de Maurice Ravel.

Pois foi já há umas décadas que idealizei um filme para ilustrar o “Aprendiz de Feiticeiro”, um interessante scherzo sinfónico do compositor Paul Dukas e baseado num texto de Goethe. Eu, por mim, achei que a dinâmica dos cenários ficava muito bem na ilustre casa do Bernardo Perdigão. Ali só havias trastes da cozinha, os alguidares, os potes, as panelas e as infusas e, a um canto, os utensílios da lavoura, o pulverizador, a  podoa, a sachola, o serrote de ponta e algo mais. Havia um gato preto retinto, afeito às assombrações, e havia, no caibramento do tecto, uma grande teia de aranha, a enredar o melhor dos cenários.

Não havia era o instrumental de qualquer orquestra, fosse o naipe das madeiras, das cordas e dos metais, com alguma percussão a tempo e horas. Sem pandeiretas, assobios, pífaros ou berimbaus, só com sentoiras e cutelos, com tachos e tigelas, eu podia fazer de conta e podia divertir-me com o “Aprendiz de Feiticeiro”.

O aprendiz entrou na casa do Bernardo pela calada da noite. Entrou com os primeiros compassos do fagote, coisa de nada, mansíssima, como quem se precata de olhos estranhos. De uma atrapalhação que, a princípio, parece desordenada, o aprendiz acabou por exprimir em música, com muita clarividência, toda a inspiração e particularidades estilísticas do compositor Paul Dukas.

A obra é um prodígio de orquestração, com uma bela harmonia de acordes e sonoridades. Eu, enamorado da boa música, feito retratista de fingimento, trouxe ao meu íntimo o testemunho de tempos idos, de mais a mais com os acordes do “Aprendiz de Feiticeiro”, os quais ainda ressoam na casa do Bernardo e da Engrácia. Esses acordes ainda se embebem de muita doçura poética e, mau grado a violência doméstica, tudo em volta me parece pacificado.

A modos de fingimento, chegou ao fim a partitura sinfónica do Aprendiz. O Bernardo e a mulher dormem já o sono da eternidade e até a casa onde viviam é agora o pequeno chão de algum vinhedo, a desabrolhar primaveras.
- Por Manuel Braz Magalhães
"O Aprendiz de Feiticeiro (1897), poema sinfônico de Paul Dukas (1865-1935), inspirado no poema homônimo de Goethe e composto em forma de Scherzo. Executado dia 06 de maio de 2012 pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais na Praça do Papa - Belo Horizonte, MG - BRASIL, como parte da série de concertos Clássicos no Parque."

Clique  nas imagens para ampliar. Texto enviado por Dr. José Alfredo Almeida (JASA). Imagens recolhidas da net e editadas para este blogue. Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Maio de 2013. Este artigo pertence ao blogue Escritos do DouroSó é permitida a reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue com a citação da origem/autores/créditos. 

Recortes - RIO DOURO

Clique na imagem para ampliar. Imagem original de autoria de João Martins, cedida por JASA. Edição de imagem de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Maio de 2013. É permitido copiar, reproduzir e/ou distribuir os artigos/imagens deste blogue desde que mencionados a origem/autores/créditos.

domingo, 5 de maio de 2013

MÃE !

Clique  na imagem para ampliar. Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Maio de 2013. Este artigo pertence ao blogue Escritos do DouroSó é permitida a reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue com a citação da origem/autores/créditos.