quinta-feira, 19 de julho de 2012

Recortes - ESTAÇÃO DA RÉGUA - Início do Projecto

MOVIMENTO CÍVICO PELA LINHA DO CORGO
Entretanto:
Peso da Régua foi elevada à categoria de cidade a 14 de Agosto de 1985. Em 1988 foi reconhecida pelo Office Internacional de la Vigne et du Vin como Cidade Internacional da Vinha e do Vinho.
Muito haveria a contar sobre esta localidade espelhada pelo rio Douro. Contudo o que me leva a falar aqui da localidade de Peso da Régua é única e exclusivamente restrito à sua Estação de Caminho-de-Ferro. Esta é uma região que tem vindo a ganhar uma rede de estradas que a atravessam em várias direcções, mas só mesmo o comboio nos dá a liberdade total para essa viagem de comunhão com a terra.
Não é apenas o que os olhos vêm que nos surpreende. É a nossa própria meditação, embalada no rumor dos carris, que mistura sensações e memórias, busca a compreensão do que não se vê mas se imagina em cada trecho da paisagem. Não é difícil perceber a dimensão titânica do trabalho humano que transformou as montanhas de xisto em patamares de vinhedos. Ou o que foi rasgar a penedia para construir o caminho por onde seguimos, na linha do Douro, aqui e ali suspenso sobre pontes de ferro, a desafiar desfiladeiros.
Há 150 anos, quando ainda se pensava no projecto ferroviário para esta região o transporte de uma das maiores produções nacionais, o vinho do porto, era feito pelo rio nos barcos rabelos. O transporte do vinho, neste «rio de mau navegar», de caudal e leito muito irregulares, cheio de poços, cachões e secos, fazia-se nos tradicionais rabelos. Todos os anos, eram mais de duas mil viagens, cada uma delas demorando vários dias de navegação perigosa. Por isso, o comboio constituiu, durante décadas, a grande esperança desta terra.
Porém o comboio só chega por volta de 1879 exactamente numa altura muito má na produção deste nosso vinho. O oídio e a filoxera tinha desvastado completamente todo o vinhedo do Douro, e o comboio ao invés de ter trazido prosperidade para este povo foi talvêz o principal meio de regressão para um progresso que bem podia ter acontecido, se as elites políticas e financeiras tivesse decidido mais cedo a construção deste Caminho-de-Ferro. As populações empobrecidas pelas consequentes pragas da vinha, viram-se obrigadas a abandonar as suas terras, servindo-se do comboio para emigrarem, procurando outra forma de vida que lhes proporcionassem melhores rendimentos.
Como diz o proverbio “vale mais tarde do que nunca”, foi realmente graças ao comboio, que esta região viu acelarar o processo de reprodução das vinhas e em pouco mais de 10 anos fizeram-se no Douro mais de 20 mil hectares de plantações. O comboio veio assim permitir uma reordenação do território e uma integração no espaço regional.
É a partir daqui que se vai iniciar o projecto de uma via estreita, das primeiras a serem construidas, a Linha do Corgo que iria pôr a descoberto todo o valor paisagístico, e não só, de um vale até à altura desconhecido.

Transcrição de "Um Combóio Chamado Texas - 100 anos de História" - Design by Simon Fletcher. Desenvolvido por Tumblr© Copyright 2010

Clique  nas imagens para ampliar. Edição de J. L. Gabão para o blogue "Escritos do Douro" em Julho de 2012. Permitida a copia, reprodução e/ou distribuição dos artigos/imagens deste blogue só com a citação da origem/autores/créditos. 

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